Minha memória é um mistério.
Ela faz questão de esquecer coisas banais: esquece onde colocou a chave ontem, esquece o nome da minha banda favorita, esquece o número do telefone da casa da minha mãe, esquece o caminho pra praça do papa, esquece como foi o meu primeiro dia de trabalho, esquece até o que eu senti exatamente no dia que saí de casa.
Mas ela faz não abre mão de lembrar tantas coisas desnecessárias... Ela nunca esquece aquele abraço e aquela voz dizendo por que eu não podia chorar. Não esquece o carinho e os planos andando pela loja cheia de coisas de bebê. Não esquece o último (e também o primeiro!) beijo. Não esquece e faz questão de me fazer lembrar assim, do nada, durante o dia ou a noite, se eu estiver ocupada ou não.
Acho que ela gosta de me torturar. Deve ser divertido me ver louca sem achar a palavra certa pra usar em alguma frase. Deve ser muito engraçado me ver parada feito uma idiota lembrando das mãos tímidas procurando as minhas mãos recolhidas.
Tpm, tpm... passa logo, vai...
E mesmo sem te ver, acho até que estou indo bem.
Só apareço, por assim dizer, quando convém aparecer ou quando quero...
Desenho toda a calçada. Acaba o giz, tem tijolo de construção.
Eu rabisco o sol que a chuva apagou...
Quero que saibas que me lembro - queria até que pudesses me ver.
És parte ainda do que me faz forte, e pra ser honesto, só um pouquinho infeliz.
Mas tudo bem, tudo bem...
Lá vem, lá vem, lá vem de novo:
Acho que estou gostando de alguém,
E é de ti que não me esquecerei.
A vida é uma brasa, mora?
Há 12 anos

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