quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Parti-das.

Todas as vezes que nos abraçávamos para nos despedir, eu chorava. Lembra? Afundava meu rosto nos seus ombros, sentia o cheiro do seu pescoço, e chorava... Porque eu sempre imaginava que aquela seria a última vez, que não mais nos veríamos, que eu precisava guardar seu cheiro, o toque da sua pele...
E eu me enganava. Passavam-se alguns dias e estávamos nos abraçando novamente. Um abraço largo! Um frescor na barriga, uma risada solta... Era engano meu: mais uma vez estávamos ali, juntos, apertados um contra o outro. Aproveitando algumas horas que não eram contadas.
Quando chegava o momento da despedida, ah, como era doloroso! Mais uma vez aquela sensação: era a última vez. O último abraço. Guardar o cheiro, o toque, o som da voz... As lágrimas rolavam, rolavam... E você dizia "não chora, semana que vem eu volto". Eu não acreditava. E você me surpreendia (sempre surpreendia) e voltava, voltava sim.

Sabe o que me parece mais irônico, mais triste, o que me parece um tanto maldoso?
Aquele abraço na rodoviária... Eu não pensei que seria o último.

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