Meu pai me cansa. Não podemos ficar perto algumas horas, que já começamos com aquela mania insuportável. Aquela que a psicóloga disse que veio de um primeiro problema não resolvido entre nós. Aquela assim:
- Paula (só ele me chama assim e, claro, eu NÃO gosto), você foi ao dentista?
- Ainda não.
- Mas você é difícil demais... por que não? (ficando irritado)
- Porque eu tô gripada e meu corpo tá doendo ué.
- Assim não dá! (xingando)
- (oi? eu não sou criança e decido o que faço na hora que EU quiser) Aham, mas meu corpo tá doendo e eu não vou pegar ônibus.
Ele fecha a cara, resmunga com aquela voz grosseira e me deixa falando sozinha.
Olha que isso é um avanço! Geralmente acontece assim: um provoca, outro retruca. Outro provoca, um retruca.
E assim vai indo, indo, indo...
Até terminar do jeito que terminou dessa vez: eu morrendo de ódio, com vontade de esfregar na cara dele que eu CRESCI e sou dona do meu nariz, dos meus dentes doloridos e das minhas pernas que só querem saber de repousar. E ele enchendo a porra do saco achando que manda até no meu fio de cabelo loiro.
Ah vá!
A vida é uma brasa, mora?
Há 12 anos

2 comentários:
auhauhahuhhua
cresceu foi?
mais engraçado foi a palavra de confirmação: denti
eu ri
eu achei bonita a parte "no meu fio de cabelo loiro"
Pais são todos iguais, só mudam de endereço! eu cresci e para o meu ainda tenho 18 anos, ele nem sabe a data do meu aniversário! Pais são tão euterais* (não me pergunte o que é isso mas vi nas palavras de verificação e achei que a palavra se encaixa com "pais".
Postar um comentário